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21 de Setembro de 2019

Água em tragédia, quanto mais caro, melhor

Como os preços altos garantem água para todos.

Bruno Borsatto, Estudante de Direito
Publicado por Bruno Borsatto
há 4 anos

A economia contém alguns conceitos-chave para fazer uma análise de certas situações. Alguns são bem conhecidos, o lucro, prejuízo, balanço. Outros, nem tanto, como o valor marginal, escasez, ou o ótimo de produção. Mas são facilmente deduzíveis e bem lógicos. As "leis" econômicas são bem universais e aplicáveis a quase todos os modelos, principalmente nas sociedades ocidentais, tão integradas e parecidas entre si. Por isso, quando acontece uma tragédia, algumas coisas são previsíveis e lógicas. Por exemplo, o foco quotidiano muda, assim como a vida das pessoa. Na tragédia em Mariana, por exemplo, a cidade foi destruída. Assim, muitos perderam suas casas, comercios, carros e bens; quando não, a vida.

O mar de lama inundou não só a cidade, mas também "cimentou" o Rio Doce e outros manaciais próximos. Isso tem o primeiro efeito imediato: A escasez de água. A escasez é o conceito de bem finito, escasso. Por ser escasso, atribui-se maior valor a ele, normalmente. A água, pelo seu papel vital é o mais importante nessa situação. Logo, seu valor tente a subir. A Oferta e a Procura são implacáveis, e seus efeitos, imediatos. Mas isso é ruim? Alguns argumentam que sim, claro! Aumentar o preço e lucrar com a tragédia é totalmente atiético e imoral. Mas será que é correto esse cálculo? O Lucro nada mais é que os custos, a expectativa de ganho do comerciante/produtor e o quanto se está disposto a pagar pelo produto.

No Espirito Santo o ministério público quer prender quem aummentar o preço da água. alegando que é abusivo o lucro em caso de calamidades, como o da lama de mariana que já atinge o estado. Porém, algumas considerações tem de ser feitas. A cedeia de produção de água (coleta, envase, transporte) é relativamente símlples, a distribuição é capilar e bem presente. Porém, como a água das torneiras está inutilizada, se recorre a galões. Por isso, a demanda de galões e garrafas explodiu. O preço aumentou 4 vezes em alguns lugares e em outros já falta água. Qual o lado bom de algo tão ruim? Com o aumento da escasez, aumenta a racionalização dos recursos. Em outras palavras, deminui o desperdício. Ningém mais lava as calçadas, ou usa 20, 30 litros de água para escovar os dentes. Nas regiões afetadas. Também aumenta o interesse para que mais vendedores cheguem ao local com água, o que normalmente não aconteceria. A grande demanda por água engarrafada (agora que se tornou escassa) é o motivo de uma ordem espontânea surgir, o motivo de tanto esforço para chegar a lugares de difícil acesso, que, por vezes não contra com esse tipo de serviço. A tendênacia, ainda, é que com aumento da oferta os preços se normalisem em uma quantia aceitavel, dado o esforço para levar a água e os custos envolvidos. Portanto, economicamente falando, o aumento de preços tem 2 consequencias imediatas: A racionalização dos recursos, ou o não disperdicio; e o aumento do fornecimento devido a demanda alta.

Agora, o que acontece quando se tabela, ou mesmo se proíbe o aumento dos preços? Primeiro, os produtos acabam. Os que chegam cedo, compram mais, pagam barato e não necessáriamente economizam. Com isso, muitos recursos ficam na mão de poucos. Isso, quando não compram com o objetivo de estocar e fazer aumentar o preço. Afinal, se não há mais oferta que o normal, a sede vai valorizar o produto. Porque isos não ocorre com o preço livre? De novo, pois a perspectiva de lucrar faz com que mais gente traga água até as cidades afetadas, fazendo assim com que haja concorrência. O aumento da dificuldade em conseguir um produto que não trás lucro não compensa o esforço, assim, com um preço artificialmente baixo, a água seria escassa e controlada por poucos. A livre oferta e demanda trará equilíbrio naturalmente, mesmo que a primeira vista não haja "controle" de preços. A Aparência é caótica e desorganizada, mas, na verdade, é a lógica agindo e estruturando as cadeias. A tentação de instituir controle de preços, quotas de compra, estatizar as fábricas, ou mesmo distribuir de graça é grande e, aparentemente resolve problemas pontuais. Mas, é o tipo de atitude que desetimula comércio, o transporte, a produção e distribuição de qualquer recurso, não só a água. O estado não consegue calcular a demanda e a procura de modo tão eficiente quanto o sistema de preços. Assim, o simples desejo de eliminar uma aparente injustiça geraria, diretamente, a morte de pessoas por falta de um recurso essencial como a água.

Por fim, apenas uma recomendação de leitura nesse link sobre o que acontece quando o estado toma conta da produção de comida, que tanto quanto a água é essencial para a vida.

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